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Cabo Verde

Uma residência permanente real e codificada por EUR 80.000 que quase ninguém sabe que existe — associada a tributação mundial, regras de CFC e três convenções fiscais, o que faz dela uma jogada de segunda residência e enfaticamente não uma jogada de residência fiscal.

Última verificação julho de 202664 destinos sem visto

Perguntas frequentes

Dá mesmo para obter residência permanente em Cabo Verde por EUR 80.000?

Sim. Esta é a opção genuína e pouco divulgada. O Green Card (Estatuto de titular de segunda residência) está em vigor desde 31 de dezembro de 2021, sob a Lei n.º 30/IX/2018 e os seus diplomas de execução. Ele concede residência permanente diretamente, saltando a escada normal de cinco anos, para imóvel no valor de EUR 80.000 num município de PIB abaixo da média, ou EUR 120.000 num de PIB mais alto, como Sal, Boa Vista ou Praia. Os familiares estão expressamente cobertos. Continua pouco divulgado justamente porque nenhuma agência ganha comissão alta com ele. A faixa de EUR 80 mil aponta para Brava, Maio e São Nicolau, mercados finos e ilíquidos, onde a saída pode ser difícil a qualquer preço.

O passaporte cabo-verdiano dá acesso ao Schengen?

Isto é rotineiramente mal representado. A relação com a UE é uma Parceria para a Mobilidade mais um acordo de facilitação de vistos de curta duração. Isso significa procedimentos de visto Schengen mais baratos e simples, não circulação sem visto. A mobilidade CPLP também dá procedimentos facilitados, não livre circulação. O passaporte tem 64 destinos sem visto, na posição 74 do índice Henley de junho de 2026. Qualquer agência que sugira acesso Schengen está a deturpar o que o passaporte de facto entrega.

Devo tornar-me residente fiscal em Cabo Verde?

Não. Trate-o como segunda residência, não como plano fiscal. Residentes fiscais cabo-verdianos são tributados numa base mundial. A jurisdição tem regras de CFC, que apanham participações de 25% ou mais em regimes claramente mais favoráveis, e apenas três acordos de dupla tributação, com Portugal, Macau e Guiné-Bissau. A ideia de uma base insular de baixa tributação é falsa para quem efetivamente se muda. O Green Card foi desenhado para ser detido em base de não residente. Todo o seu apelo é a opcionalidade sem migração fiscal. As mais-valias, note-se, têm uma alíquota notavelmente baixa de 1%.

A cidadania cabo-verdiana por investimento é real?

Está escrita na lei, mas nunca foi operacional. O artigo 14 da Lei n.º 33/X/2023 cria a nacionalidade por investimento, mas todos os montantes ficaram para ser fixados por uma lei que nunca foi aprovada. O valor de EUR 200.000 que circula no mercado não tem base legal nenhuma. O próprio legislador admitiu, no preâmbulo da Lei 37/X/2024 que a alterou, que sem a regulamentação a lei da nacionalidade seria inaplicável. O Decreto-Lei n.º 29/2024 excluiu depois expressamente os casos de investimento. Quem a vende está a vender um diploma que o próprio legislador declarou inaplicável.

Quanto tempo até à cidadania cabo-verdiana, e há exame de língua?

A naturalização segue-se a cinco anos de residência legal, ao abrigo do artigo 13 da Lei n.º 33/X/2023. Não há requisito de língua. Esse teste aplica-se à residência permanente comum, não à naturalização. O casamento encurta a espera para quatro anos. Há também uma via de diáspora invulgarmente ampla. Por ela, até trinetos de um cabo-verdiano de origem podem adquirir nacionalidade por declaração. Cabo Verde admite dupla cidadania. Uma questão permanece em aberto, e importa para qualquer plano de longo prazo: se o tempo de Green Card conta para o relógio de cinco anos da naturalização.

O requisito de rendimento do visto de nómada digital é mesmo EUR 1.500 por mês?

Não. O número habitualmente citado está errado. O Programa de Trabalho Remoto usa um teste de saldo bancário médio, não de rendimento mensal. Isso significa EUR 1.500 para um indivíduo, ou EUR 2.700 para uma família, em média nos seis meses anteriores. É dos vistos mais baratos do mundo, custando cerca de EUR 20 mais EUR 34 em taxas. Mas está mal desenhado do ponto de vista fiscal. A estrutura de seis meses mais seis meses leva-o a atravessar a linha dos 183 dias e a entrar na residência fiscal cabo-verdiana, com a sua tributação mundial. E a candidatura online da DEF apresentava a mensagem Em manutenção quando verificada.

O benefício fiscal principal do Green Card sobreviveu a 2026?

Possivelmente não. Esta é uma incerteza genuína. Os benefícios do Green Card estavam ligados ao IUP a 1,5%, que foi revogado em 1 de janeiro de 2026 e substituído pelo IPI (0,1%) e pelo ITI (1%). Se os benefícios legais transitaram para os novos impostos não está verificado. Ou seja, o benefício de destaque do diploma refere-se agora a um imposto que já não existe. O estatuto de residência permanente não é afetado. É o incentivo fiscal que está em causa. Trate o Green Card primeiro como instrumento de residência, e só como benefício fiscal depois de confirmado.

O Green Card exige que eu viva em Cabo Verde, e as minhas contas serão comunicadas?

Não encontrámos requisito de presença física para o Green Card. Isso é ausência de prova, não confirmação, por isso vale a pena verificar antes de contar com ele. Quanto à comunicação, Cabo Verde não é um refúgio duradouro fora do CRS. É atualmente não participante, mas comprometeu-se com as primeiras trocas automáticas até 2027. Planeie com a troca ativa nessa data, em vez de tratar Cabo Verde como jurisdição não declarante permanente.

Como é que um estrangeiro obtém NIF em Cabo Verde?

O NIF cabo-verdiano é atribuído pela Direção Nacional de Receitas do Estado e é indispensável para comprar imóvel, abrir conta bancária e formalizar qualquer contrato. Obtém-se presencialmente ou por procurador, com passaporte e comprovativo de morada. É o primeiro passo do Green Card, porque a escritura de compra do imóvel exige-o. Obter NIF não cria residência fiscal por si só, mas é o identificador que o Estado usará em qualquer relação futura consigo.

Quanto se paga de impostos ao comprar imóvel em Cabo Verde?

Na compra incide o imposto sobre transmissões (historicamente 3% sobre o valor da transação) mais emolumentos notariais e de registo predial. Desde 1 de janeiro de 2026, a tributação anual da propriedade passou do IUP para o IPI (0,1%) e o ITI (1%), o que alterou a base do incentivo do Green Card. As mais-valias na venda são tributadas à alíquota notavelmente baixa de 1%. Some ainda honorários de advogado, que são recomendáveis dado o estado dos registos prediais em algumas ilhas.

Que ilha escolher para o Green Card: Sal, Boa Vista, Santiago ou as ilhas pequenas?

A escolha é entre liquidez e preço de entrada. Sal e Boa Vista têm o mercado turístico mais líquido, voos diretos da Europa e o patamar de EUR 120.000; Santiago (Praia) é o centro administrativo e económico. Brava, Maio e São Nicolau qualificam com EUR 80.000, mas têm mercados finos, poucos compradores e saída difícil. Santo Antão e Fogo são espetaculares e ainda menos líquidas. A regra prática é: se pensa vender um dia, pague os EUR 120.000 nas ilhas com aeroporto internacional.

Como é a saúde em Cabo Verde para residentes estrangeiros?

O sistema público existe e é acessível, mas a capacidade é limitada: há hospitais centrais na Praia e no Mindelo e unidades menores nas restantes ilhas. Casos complexos são evacuados para Portugal, com o qual existe cooperação histórica. Praticamente todos os estrangeiros mantêm seguro internacional com cobertura de evacuação médica, e isso não é opcional se vive numa ilha pequena. Verifique a cobertura de repatriamento antes de escolher a ilha.

Quanto custa viver em Cabo Verde?

O custo de vida local é baixo em serviços, mão de obra e produtos frescos, e alto em tudo o que é importado, o que é quase tudo o resto: eletrónica, automóveis, materiais de construção e boa parte da alimentação processada. A eletricidade é cara e a água dessalinizada também. Uma família estrangeira que mantenha padrão europeu gasta bem mais do que a média local sugere. Em contrapartida, imobiliário e pessoal doméstico custam uma fração do preço português.

Fala-se português em Cabo Verde? E o crioulo?

O português é a língua oficial, usada na administração, nos tribunais, nas escolas e nos documentos, o que torna Cabo Verde uma das mudanças mais simples para brasileiros e portugueses. O dia a dia, porém, decorre em crioulo cabo-verdiano, que varia entre ilhas. Não precisa de crioulo para tratar de burocracia ou negócios, mas precisa dele para pertencer socialmente. Para famílias lusófonas, a barreira linguística é praticamente inexistente.

Cabo Verde é seguro?

Cabo Verde figura consistentemente entre os países mais estáveis e pacíficos de África, com democracia consolidada e alternância política pacífica. A criminalidade violenta é baixa; existe furto e roubo de oportunidade nas zonas turísticas da Praia, do Mindelo e do Sal. As ilhas pequenas são notoriamente tranquilas. O risco maior para residentes não é criminal, é logístico: dependência de ligações aéreas e marítimas e capacidade médica limitada fora das duas maiores cidades.

Como funciona a CPLP para cabo-verdianos e residentes?

Cabo Verde é membro da CPLP, o que dá aos seus nacionais procedimentos facilitados de mobilidade entre Estados lusófonos, incluindo Portugal e Brasil, e o benefício importante do prazo reduzido de sete anos para naturalização portuguesa aplicável a nacionais da CPLP. Atenção: isto vale para quem tem nacionalidade cabo-verdiana, não para quem apenas tem residência. É essa diferença que torna a naturalização cabo-verdiana, aos cinco anos e sem exame de língua, interessante como degrau intermédio.

Estrangeiros podem comprar qualquer imóvel em Cabo Verde?

Sim, a compra por estrangeiros é livre e não exige autorização especial, o que é invulgar na região. A escritura é feita perante notário e registada na conservatória predial. O risco real não é jurídico-formal, é documental: registos prediais incompletos, heranças não partilhadas e terrenos com titularidade tradicional pouco clara, sobretudo fora dos empreendimentos turísticos. Contrate advogado local e exija certidão predial atualizada antes de qualquer sinal.

Que rendimento é preciso para a residência comum em Cabo Verde?

A residência comum, fora do Green Card, exige comprovativo de meios de subsistência, seguro de saúde, registo criminal e alojamento, e é concedida por prazos renováveis até se atingir a permanente ao fim de cinco anos. Não há um valor legal rígido de rendimento publicado, e a avaliação é casuística. Para quem tem capital para o imóvel, o Green Card é quase sempre a via mais direta, porque salta essa escada inteira.

O Green Card cabo-verdiano conta para a naturalização?

Esta é a questão em aberto mais importante do programa. A naturalização exige cinco anos de residência legal, e o Green Card confere residência permanente sem exigência clara de presença física. Se o tempo de Green Card conta integralmente para esse relógio, ele torna-se um dos caminhos mais baratos do mundo para uma cidadania lusófona. Se não conta, é apenas residência. Não confirme esta hipótese com um agente — peça parecer jurídico local por escrito antes de estruturar um plano de cidadania em torno dela.

Cabo Verde ou Portugal para uma família lusófona?

São jogadas diferentes. Portugal é UE, com saúde, escolas e mercado de trabalho de outra escala, mas com naturalização a dez anos (sete para CPLP), fila da AIMA e tributação mundial de residentes até 53%. Cabo Verde é barato, dá residência permanente direta por EUR 80 a 120 mil, naturaliza em cinco anos sem exame de língua e tem mais-valias a 1%, mas o passaporte é fraco, a economia é pequena e a residência fiscal ali é má ideia. A combinação que faz sentido para alguns é Green Card cabo-verdiano detido em base de não residente, como opção, mantendo a vida fiscal noutro lugar.

Situação tributária

Imposto de renda (máx.)
27,5% (acima de CVE 1,8m)
Ganhos de capital
1% fixo sobre imóveis, propriedade intelectual e participações sociais — surpreendentemente baixo
Imposto sobre o patrimônio
nenhum
Imposto sobre herança
sem imposto autónomo; a partir de 1 de janeiro de 2026, as transmissões de imóveis por morte ou doação passam a estar abrangidas pelo novo ITI a 1%
Regime especial
nenhum de relevo — os residentes fiscais cabo-verdianos são tributados numa base mundial, e existem apenas três convenções de dupla tributação (Portugal, Macau, Guiné-Bissau)
Territorial
Não, a renda universal é tributada
Regras CFC
Sim
Imposto de saída
Não
CRS
Não participante

É Cabo Verde realmente certo para a sua família?

Nós diremos se não for. É esse o serviço inteiro.

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